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14 de janeiro de 2018 às 02:00

Sem treino não há time, e sem conjunto não existe grande jogo

O PSV Eindhoven é líder do Campeonato Holandês e empatou com o Corinthians com dez titulares iguais aos da de sua última vitória de 2017, contra o Vitesse, antes da paralisação do inverno europeu.

O PSV Eindhoven é líder do Campeonato Holandês e empatou com o Corinthians com dez titulares iguais aos da de sua última vitória de 2017, contra o Vitesse, antes da paralisação do inverno europeu.

O resultado não é o fator principal a ser analisado na pré-temporada, mas não é mau para o campeão brasileiro estrear seis dias depois das férias e ganhar do líder na Holanda.

Não é pecado perder este tipo de amistoso, nem para os brasileiros nem para os holandeses. Pecado é fazer o primeiro jogo apenas seis dias depois de se apresentar pós-festas de fim de ano e com uma viagem no meio.

O melhor time do planeta neste momento é o Manchester City, da Inglaterra. Para disputar a temporada 2017/18, seus jogadores apresentaram-se a Pep Guardiola no dia 22 de junho. Fizeram o primeiro amistoso no dia 20 de julho, com derrota por 2 x 0 para o Manchester United, em Houston, nos Estados Unidos.

Valendo três pontos, o City só entrou em campo no dia 12 de agosto, vitória sobre o Brighton pela Premier League.

O Corinthians foi o primeiro time da Série A com jogo em 2018. Apresentou-se para os treinos no dia 3, viajou para a Flórida no domingo (7), enfrentou o PSV na quarta (10), e fará sua primeira partida de campeonato quarta-feira (17) contra a Ponte Preta, vice-campeã paulista.

O presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, diz que não muda muito em relação aos anos anteriores. Está enganado. De 2003 a 2014, os estaduais começaram nos primeiros vinte dias de janeiro, com períodos escassos de pré-temporada. Foi um pouco melhor entre 2015 e 2017. Ano passado, o Paulista começou no dia 3 de fevereiro.

Foi mais tarde do que o normal, por causa do acidente da Chapecoense. Mas o Santos, que abriu o campeonato de 2017, teve 24 dias de preparação antes da estreia, contra 14 neste ano.

Em 2016, também foi menos ruim. Os grandes times se apresentaram no dia 6 de janeiro e o Paulistão começou no dia 30.

Menos tempo de treino no início do ano significa mais chance de lesão e mais cansaço. Além da culpa de quem faz o calendário, a cultura daqui atrapalha. Daqui a dois meses, quando algum time reclamar do desgaste, alguém dirá que os jogadores não podem lamentar porque ganham bem e porque estaremos apenas no terceiro mês do ano. Sem treino não há time e sem conjunto não existe grande jogo. Especialmente num país que exporta jogadores na mesma velocidade com que ingleses, alemães e espanhóis vendem bilhetes para os jogos de seus campeonatos.

Vamos passar mais um ano reclamando da falta de qualidade dos jogos disputados no Brasil.

O OUTRO LADO

Os jogadores podem reclamar do excesso de jogos e da falta de tempo para treinar, mas o mimo mata o talento. Cueva e Nenê não voltaram aos treinos na data marcada. Scarpa tem muito mais razão, porque o Fluminense lhe devia salários. Mas não custa aparecer no dia agendado e explicar por que não vai ficar. Olhar nos olhos. Não por respeito ao Fluminense apenas. Por cuidado com seu técnico, com seus colegas e com sua própria carreira. Existe um estranho e particular código de ética entre jogadores, técnicos e dirigentes de futebol.

Fonte: FOLHA

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