14 de janeiro de 2018 às 02:00

O túmulo da folia de Crivella

Não se iluda. A perseguição de Marcelo Crivella ao Carnaval é a ação mais organizada e planejada da prefeitura. Quem dera ele cuidasse da mesma maneira da saúde, do transporte, da educação, da segurança. Se é pedir demais, ao menos que providenciasse a li

Não se iluda. A perseguição de Marcelo Crivella ao Carnaval é a ação mais organizada e planejada da prefeitura. Quem dera ele cuidasse da mesma maneira da saúde, do transporte, da educação, da segurança. Se é pedir demais, ao menos que providenciasse a limpeza dos bueiros, nesta época de enchentes.

A única falha no programa de higienização é a desculpa que Crivella arrumou para cortar a verba das escolas de samba e dos blocos. Afirmava ele, populista que só: o dinheiro iria para as criancinhas nas creches e os doentes nos hospitais. Estes hoje mal conseguem funcionar, não há remédios e os médicos recebem os salários com atraso.

A inacreditável Arena Carnaval vai custar R$ 3,3 milhões. O espaço, na Barra da Tijuca, está sendo chamado de Blocódromo, por aproximação ao horrendo (no nome e na estrutura) Sambódromo. Está mais para um templo. Ou um túmulo da folia, com cordões de isolamento feito por seguranças ("Não põe corda no meu bloco", já diziam Bosco & Blanc) e uma área VIP com 20 mesas bistrô, 80 banquetas altas, quatro sofás e 64 pufes. Para entrar, só com pulseirinha.

Em Copacabana, Ipanema e Leblon, os blocos estão proibidos de sair nas ruas de dentro. Todos terão de desfilar na orla. Os considerados megablocos -que costumam atrair mais de 800 mil pessoas - serão deslocados para o Centro e o aterro do Flamengo. A não ser que aceitem se apresentar no palco do Blocódromo. É a brincadeira encurralada.

A reação já está nas ruas. Nos camelôs, a máscara do prefeito-bispo é uma das mais vendidas, como também um enfeite de cabeça multicolorido com a frase "Fora Crivella". Aproveitando os 50 anos do Maio de 1968, o enredo do bloco Suvaco de Cristo manda uma mensagem direta: "É Proibido Proibir". A desobediência civil pinta como o último grito deste Carnaval.

Fonte: FOLHA

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