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23 de janeiro de 2018 às 02:00

O macho predador está em extinção?

Tenho participado de muitos debates sobre assédio e abuso de poder. Apesar da insistência em uma falsa polarização -francesas/americanas, autonomia/vitimismo, liberdade sexual/puritanismo, homem/mulher-, a discussão tem provocado uma importante reflexão s

Tenho participado de muitos debates sobre assédio e abuso de poder. Apesar da insistência em uma falsa polarização -francesas/americanas, autonomia/vitimismo, liberdade sexual/puritanismo, homem/mulher-, a discussão tem provocado uma importante reflexão sobre a necessidade de mudança de determinados comportamentos masculinos.

As francesas, autoras do artigo publicado no jornal "Le Monde", disseram que os homens devem ter liberdade para importunar, tocar o joelho, roubar um beijo, e que isso faz parte da liberdade sexual. Pergunto: liberdade sexual de quem?

Lutar pelo fim do silêncio não tem nada a ver com ter ódio dos homens ou ser contra a liberdade sexual, como as francesas disseram. Uma das autoras comparou o feminismo ao stalinismo. Vale lembrar que Catherine Deneuve já havia provocado outra polêmica ao defender Roman Polanski, acusado de estupro de uma menor, dizendo que o cineasta certamente não sabia que a menina tinha 13 anos.

Muitos homens e mulheres estão, corajosamente, rompendo com a conspiração do silêncio que cercava o abuso de poder e, assim, trazendo à luz escândalos que podem transformar radicalmente a dramática realidade da violência sexual.

No entanto, alguns, como um vendedor de 42 anos, aproveitam a polêmica para minimizar, e até mesmo ridicularizar, a violência física, verbal e psicológica que as mulheres sofrem cotidianamente.

"Quer dizer que agora, logo no primeiro encontro, as mulheres terão que assinar um termo de consentimento detalhando tudo o que eu posso e devo fazer? E eu vou ser obrigado a pedir: 'Por favor, será que eu poderia introduzir o meu pênis na sua vagina?'."

Mas, como disse um jornalista de 51 anos, os homens sempre souberam o que é "passar dos limites".

"Nós sempre soubemos diferenciar um flerte, uma paquera, um elogio, um galanteio de um comportamento desrespeitoso e abusivo. Só que antes não havia qualquer tipo de reação: a violência era vista como parte da natureza masculina. Isso acabou. E, mesmo que muitos estejam assustados, acho que é uma verdadeira libertação para a maioria dos homens. Estamos testemunhando o fim da era dos cafajestes e da impunidade dos machos predadores. Será que essas espécies estão em extinção?".

Fonte: FOLHA

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