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17 de maio de 2018 às 10:40

Eterna coadjuvante, Eloísa Mafalda brilhou em papéis de mãe na TV

Eloísa Mafalda conseguiu criar uma carreira sólida, com elogios da crítica e carinho do público, quase que só interpretando mães em novelas da Globo.   A mais emblemática de todas foi dona Nenê, na primeira versão da série ?A Grande Família? (1972-1975).

Eloísa Mafalda conseguiu criar uma carreira sólida, com elogios da crítica e carinho do público, quase que só interpretando mães em novelas da Globo.
 
A mais emblemática de todas foi dona Nenê, na primeira versão da série “A Grande Família” (1972-1975). Mas houve dezenas de outras, geralmente precedidas por um “dona”: dona Pombinha (“Roque Santeiro”, 1985), dona Delfina (“Meu Bem Querer”, 1991), dona Mariana (“Paraíso”, 1982).
 
E também alguns pontos fora da curva, como a cafetina Maria Machadão, na primeira versão da novela “Gabriela” (1975). Era só uma participação especial, mas a atriz teve a chance de mostrar um lado desconhecido de seu enorme talento.
 
Nascida Mafalda Theotto em 1924, em Jundiaí (SP), Eloísa Mafalda atuou em radionovelas na década de 1950. Chegou à TV já quarentona, em 1965: estreou na primeira “novela das oito” produzida pela Globo, “O Ébrio”, uma adaptação do clássico filme de Gilda de Abreu. Nunca mais saiu da emissora.
 
Fez pouco cinema (seis filmes) e pouquíssimo teatro (apenas três peças, a última há 40 anos). Mas tornou-se um dos rostos mais conhecidos do Brasil, pela força de seus personagens na televisão.
 
Era o que os americanos chamam de “character actor”: o coadjuvante versátil e carismático, indispensável em qualquer produção. O tipo de ator que raramente chega a protagonista (e Eloísa Mafalda não chegou), mas que brilha em papéis menores e serve de escada para as grandes estrelas.
 
Pela idade e pelo tipo físico, Eloísa Mafalda acabou se especializando nos papéis de mãe â?”e também pela falta de imaginação dos diretores de elenco, que raramente a escalavam para algo diferente.

 Quase sempre, mães de classe média para baixo: não fazia grã-finas (mas encarnou Edite, uma impagável nova-rica, em “Brilhante”, de 1981).
 
Nem por isto era atriz de um personagem só. Soube dar personalidade própria a cada uma das inúmeras genitoras que viveu na telinha, das mais ternas às mais espevitadas.
 
Também imprimia uma imensa verdade em seus papéis maternais. Conseguiu captar, durante mais de três décadas, a essência do que seria uma arquetípica mãe brasileira: abnegada, amorosa, batalhadora. Com alguns trejeitos autoritários, mas, também, muitos traços cômicos.
 
Sofrendo do mal de Alzheimer e com dificuldade crescente para decorar textos, Eloísa Mafalda se afastou das novelas em 2002, depois de participar de “O Beijo do Vampiro”. Desde então, só reapareceu na TV em matérias do tipo “por onde anda?”, em que mostrava sua vida de aposentada em Petrópolis (RJ).
 
Talvez por isto não seja conhecida pelas novas gerações. Mas, para quem viu TV nas décadas de 1960 a 1990, Eloísa Mafalda é uma referência fortíssima. Praticamente, nossa mãe na telinha.

Fonte: FOLHA

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