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28 de janeiro de 2018 às 02:00

Esportes a remo viram moda no verão e transformam o Brasil em potência

Foi por meio de um primo que José Paulo Neto, 27, descobriu, aos 15 anos, a canoa havaiana. Sem a técnica dos colegas no futebol, ele encontrou nas remadas uma forma de se exercitar ao ar livre. A partir daí, não largou mais.

Foi por meio de um primo que José Paulo Neto, 27, descobriu, aos 15 anos, a canoa havaiana. Sem a técnica dos colegas no futebol, ele encontrou nas remadas uma forma de se exercitar ao ar livre. A partir daí, não largou mais.

Doze anos depois, a modalidade pela qual se apaixonou ainda adolescente nas praias de Santos virou moda do ver√£o. Amadores e profissionais encontraram no litoral paulista as condi√ß√Ķes prop√≠cias para a canoa havaiana e outros esportes a remo, como o stand up paddle.

A canoa havaiana chegou ao país por volta de 2000, trazida por brasileiros que eram praticantes no exterior.

Inspirada no meio de transporte do tri√Ęngulo polin√©sio, a canoa tradicional possui seis lugares e tem um flutuador lateral ligado ao casco por dois bra√ßos de madeira.

H√° competi√ß√Ķes nacionais e internacionais do esporte. Todas s√£o realizadas em formato de corrida, com competidores largando juntos em uma raia. Os circuitos variam de 500 m a 90 km.

A canoa havaiana tamb√©m √© utilizada para travessias, mas sem o car√°ter competitivo. No √ļltimo dia 8, Neto esteve entre os seis cano√≠stas que completaram uma remada de Santos a Niter√≥i.

"Um amigo precisava vender uma canoa para uma pessoa em Ubatuba. Em vez de irmos de caminh√£o, resolvemos lev√°-la pelo mar. A venda n√£o se concretizou, mas mantivemos a ideia de passar o ano novo remando", conta.

Essa foi a maior travessia sem barcos de apoio ou revezamento entre atletas registrada na história do esporte no país. Foram 11 dias de duração e 430 km percorridos.

DESTAQUE MUNDIAL

Os esportes que come√ßaram como hobbies viraram profiss√Ķes, principalmente entre remadores de stand up paddle. Lena Ribeiro, 37, √© um dos destaques do pa√≠s. Ela lidera o ranking nacional na categoria corrida e foi a 16¬™ melhor do mundo em 2017, segundo o site "SUP Racer".

Em nível internacional, a modalidade é praticada com pranchas de 4,27 m. Além das corridas com percursos de 200 m a 50 km, há a categoria "wave" (onda, em inglês), que se assemelha ao surfe.

Lena jogou handebol profissionalmente quando era adolescente. A afinidade com esportes marítimos surgiu nas viagens pela costa que fez com o pai, praticante de caiaque e windsurf.

Ela descobriu o stand up paddle em 2011, em Arraial do Cabo, no Rio. Seu marido, Américo Pinheiro, 45, que tinha experiência com surfe e mergulho, comprou uma prancha para conhecer o esporte e se curar de uma lesão.

Lena acompanhou o marido por lazer, mas um ano depois ingressou em torneios amadores. Aos poucos as portas se abriram para eles. Pinheiro treinou a seleção brasileira de corrida em 2015.

Já Lena acumula conquistas. A principal delas foi na prova 11-City, competição anual disputada na Holanda que dura cinco dias e tem 220 km de extensão.

"A meta era só completar a prova. Você enfrenta muito frio e precisa remar cheia de roupas, além de ficar muito tempo sozinha", diz Ribeiro.

Apesar da carreira promissora, Lena n√£o se sustenta como atleta. √Č professora de metodologia cient√≠fica na Universidade Veiga de Almeida. As competi√ß√Ķes internacionais que participou foram todas custeadas por ela, com o aux√≠lio de patrocinadores. Tanto √© que a atleta perdeu as √ļltimas duas edi√ß√Ķes do Mundial de stand up paddle.

A perspectiva dela √© que o esporte atraia investimentos em 2018. B√ļzios, no Rio, ser√° sede do Mundial de stand up paddle, organizado pela ISA (Associa√ß√£o Internacional de Surfe, em ingl√™s).

"√Č inadmiss√≠vel a cultura de esportes de √°gua do Brasil ser t√£o pobre. Atletas na Europa deixam os seus pa√≠ses quando as √°guas congelam no inverno. Se o Mundial for bem aproveitado, temos tudo para crescer", afirmou.

A ISA trabalha nos bastidores para incluir o stand up paddle entre os esportes que serão disputados na Olimpíada de Paris-2024. As modalidades corrida e "wave" já estarão presentes no Pan-Americano de Lima-2019.

RECOMENDA√á√ēES

A falta de fiscalização na prática dos esportes a remo traz riscos para os amadores. Os profissionais dizem que procurar instrutores certificados é o primeiro passo para quem quer aderir às modalidades.

"O stand up paddle √© muito f√°cil e tem uma evolu√ß√£o diferente do surfe tradicional. Muita gente est√° ganhando dinheiro com esse mercado", afirma Ribeiro. "Falam que √© um esporte que causa les√Ķes, mas isso s√≥ ir√° acontecer se voc√™ n√£o souber a t√©cnica para remar."

Saber nadar e conhecer o local onde o esporte será praticado também são dicas importantes para evitar acidentes. Quiosques de praia que oferecem pranchas e canoas sem uma orientação adequada precisam ser evitados.

"Como não existe um controle, já vi pessoas que compraram canoas e começaram a dar aulas sem nenhuma especialização. Essa é uma preocupação que temos, porque coloca vidas em risco", diz Neto.

Outra recomenda√ß√£o √© checar a previs√£o do tempo antes de entrar no mar. Conhecer as condi√ß√Ķes meteorol√≥gicas pode evitar surpresas desagrad√°veis, como ser pego por tempestades enquanto estiver na √°gua.

Quem n√£o pode ir para o litoral tem op√ß√Ķes mais pr√≥ximas da capital paulista para remar. Represas como a de Itupararanga, em Votorantim, e a de Guarapiranga, entre Itapecerica da Serra e Embu-Gua√ßu, se tornaram pontos das modalidades.

Esportes a remo

Fonte: FOLHA

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