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14 de janeiro de 2018 às 02:00

Dois para lá, dois para cá

No sábado da semana passada (6), o economista Marcos Lisboa -titular desta coluna- reagiu com impaciência ao modo como o governo Temer vem gerindo a economia. "Esse governo é dois para lá, dois para cá", disse em entrevista à Folha.

No sábado da semana passada (6), o economista Marcos Lisboa -titular desta coluna- reagiu com impaciência ao modo como o governo Temer vem gerindo a economia. "Esse governo é dois para lá, dois para cá", disse em entrevista à Folha.

A imagem realçava a dança ambígua do temerismo, que enlaçou uma agenda de reformas em prol do equilíbrio das finanças públicas, mas deixou o baile correr solto no salão do ajuste fiscal.

Os sinais de incúria ­-em favor de pleitos corporativos, conchavos fisiológicos e lobbies variados- vieram logo no início da pinguela, quando se aprovou no Congresso uma rodada de aumentos para o funcionalismo. Argumentou-se, então, que os percentuais estariam abaixo da inflação e que a bondade fora negociada pelo governo anterior.

Houve quem engolisse ou pelo menos relevasse a coisa, na expectativa de que Temer e sua equipe fossem entregar as reformas prometidas, em especial a da Previdência, e equacionar o rombo fiscal, num cenário em que se projetava recuperação econômica e adesão da sociedade.

Há tempo sabe-se que o desajuste vem aumentando -as metas tiveram que ser ampliadas e o período previsto para o reequilíbrio, alongado. O ritmo da mudança do ciclo econômico, por sua vez, foi-se revelando aquém das estimativas desejantes, ao mesmo tempo em que o presidente descia o vale da impopularidade e perdia apoio político no Congresso, às voltas com duas denúncias da PGR.

A entrevista de Lisboa foi publicada na sequência da lambança em torno da "regra de ouro", que escancarou o drama fiscal -e terá mesmo de ser modificada mais dia, menos dia.

Outros analistas e comentaristas também trovejaram. Vinícius Torres Freire, por exemplo (para citar um dos meus prediletos), escreveu no domingo (7), um dia depois das declarações de Lisboa, que o prometido e propalado ajuste "não rolou".

Os economistas erraram as previsões de receita, rejeitou-se por princípios patológicos a ideia de aumento de impostos e, nas palavras de Torres, "o governismo rasgou a fantasia e partiu para o abraço do dinheiro público, em particular depois do grampo de Temer e dos rolos de um governo com tantos restos a pagar na polícia".

Na quinta-feira (11), veio sem surpresa o rebaixamento da nota do Brasil por uma agência internacional.

Enquanto isso, Temer renova juras que dificilmente cumprirá, o centrão regra e o ministro da Fazenda e o presidente da Câmara colidem sobre pano de fundo eleitoral.

Resta ao país assistir ao espetáculo do esfarelamento dos serviços públicos em diversos Estados -numa prévia sinistra do colapso que poderá se instalar em escala nacional em 2019, a se manter isso aí.

Fonte: FOLHA

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