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31 de janeiro de 2018 às 02:00

Copa do Mundo será jogo de estratégia com ênfase em dribles e passes

Nos anos 1960, na véspera de enfrentar times europeus, pensava nos gigantes zagueiros que teria pela frente. Os mais hábeis e rápidos atacantes brasileiros balançavam o corpo e os driblavam com facilidade. Já os defensores se preocupavam muito com as joga

Nos anos 1960, na véspera de enfrentar times europeus, pensava nos gigantes zagueiros que teria pela frente. Os mais hábeis e rápidos atacantes brasileiros balançavam o corpo e os driblavam com facilidade. Já os defensores se preocupavam muito com as jogadas aéreas para os grandalhões atacantes da Europa.

Isso mudou. A altura média dos jogadores brasileiros e europeus é mais ou menos a mesma. Eles não são mais os gigantes de cintura dura nem todos os brasileiros são artistas da bola, como se dizia.

Como todos os titulares da seleção brasileira atuam na Europa e recebem de Tite orientações parecidas com as de seus clubes, existe pouca diferença na maneira de jogar entre a seleção brasileira e as grandes da Europa e entre todos os principais times e seleções do mundo.

Assim como o passe, o drible continua essencial, importante. Hoje, os europeus driblam mais que no passado, embora a seleção alemã, campeã do mundo em 2014, pouco driblava. Destacava-se muito mais pela troca de passes. Isso continua.

A cada dia, aumenta mais, na Europa, o número de jogadores dribladores e rápidos do meio para frente, como Isco e David Silva, da Espanha; Hazard, da Bélgica; Sané, da Alemanha; Sterling, da Inglaterra; Bernardo Silva, de Portugal; Coman, Dembélé, Martial e Mbappé, da França; e outros. Xavi disse que Neymar será o sucessor de Messi e Cristiano Ronaldo, e Mbappé, o herdeiro do craque brasileiro, pois tem 20 anos, cinco a menos que Neymar.

A seleção brasileira, desde a Copa de 1970, possui os melhores laterais do mundo, que se destacam mais pelo apoio ao ataque. Isso ocorreu porque, há décadas, os volantes brasileiros são muito mais marcadores, com a função de fazer a cobertura dos laterais. É também uma das razões de o Brasil não ter, há muito tempo, craques meio-campistas, que joguem de uma área à outra. Na Europa, aconteceu o contrário. Como os laterais são muito mais marcadores que apoiadores, formaram-se mais meio-campistas talentosos, que marcam e atacam.

Paulinho está muito bem no Barcelona. Por ter uma excepcional condição física, consegue marcar bem e chegar à frente. Isso é muito importante. Ele é excelente na infiltração e na finalização e discreto no meio-campo. Desarma e toca para o lado. No Tottenham, Paulinho jogava no meio-campo da mesma maneira de hoje, no Barcelona. Como o time perdia muito e ele não fazia gols, foi duramente criticado.

Coutinho não atuou bem na estreia como titular do Barcelona. Atuou da direita para o centro, como na seleção brasileira. Ele ocupou a mesma posição de Messi, e o time ficou embolado pelo centro. Algo parecido ocorreu com Dybala na seleção argentina. No time brasileiro, é diferente, pois não há um meia de ligação pelo centro. Tite quer que Coutinho receba a bola entre os volantes e os zagueiros, para ser o articulador, o que o jogador tem feito muito bem.

Porém, contra defesas mais organizadas e protegidas, como no recente amistoso com a Inglaterra, Coutinho não conseguia receber a bola, e o time ficou congestionado pelo centro, ainda mais que Neymar se movimenta da esquerda para o meio. Além disso, os ingleses impediram os avanços dos dois laterais pelas pontas.

O futebol é um jogo de detalhes subjetivos, objetivos, de emoções, de talento e de xadrez. Na Copa, Tite terá de movimentar bem as peças.

Fonte: FOLHA

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